Technorati Profile
« O Código dos Justus - O Livro de Ouro da Liderança »

Ecce Homo

4 June 2008

Ecce Homo   Pouco me interessavam os filósofos e seus pareceres surreais, ou até mesmo suas aversões aos padrões.

As tediosas aulas de Ética (exatamente ela mesma, a professora de Ética)  me acrescentaram muito. A não-intuitividade da matéria me fazia ler textos de Foucault, Max, Maquiavel e até mesmo ouvir os versos, não tão poéticos, de Chico Buarque (me desculpem seus adoradores). Fato é, que isso desviou minha atenção para alguns pensadores, em especial Nietzsche.Adquiri inicialmente 2 obras: Além do Bem e do Mal e O Anticristo. É dificil compreender a obra sem conhecer o criador.

Foi então que procurei por uma biografia de Nietzsche … não encontrei. Quem melhor que você pra falar de você mesmo ? Comprei Ecce Homo, a autobiografia de Friedrich Nietzsche.
Na utopia que nos é pregada hoje, conceitos que soam com certa maleficidade engrandecem Nietzsche. Isso é percebido ao folhear o sumário do livro. Capítulos como: Porque eu sou tão sabio, Porque eu sou tão inteligente e Porque eu escrevo livros tão bons encabeçam as primeiras páginas de sua obra. Talvez o cultivado excessso de preocupação com a imagem que existe hoje, não permita que livros do tipo apareçam na lista dos 10+ . Talvez ainda esse seja o motivo de não existirem filósofos de tal grandeza hoje. Pelo contrário… nos deparamos hoje com constantes best-sellers de auto-ajuda … o mundo anda tão bonzinho.

O egocentrismo exacerbado do autor é visível a cada capítulo, ou talvez o egocentrismo tenha alguma essência diferente em nossas cabeças hoje. Com um pouco de sensibilidade, literária que seja, conseguimos perceber algumas contradições que indicam (ou não!) certa fragilidade do autor. Ora falando do amor: “o que eu quero da música é que ela seja alegre, serena e profunda como uma tarde de outubro. Que ela seja peculiar, animada, suave como uma mulher pequena e doce, de humildade e graça.”, ora resistindo a ele: “Eu mesmo não quero que nada se torne diferente. Foi assim que vivi. Não tive nenhum desejo. Alguém que , depois de seu quadragésimo quarto ano, ainda pode dizer que jamais se esforçou para alcançar honras, mulheres ou dinheiro….”

Vagando por sua vivência e seus sentimentos, muitas vezes frios mas não menos sábios, Nietzsche descreve trechos de sua vida e dá indicios de sua opinião ao tema principal de suas discussões… a fé.

Obras como Além do Bem e do Mal e O Anticristo enfatizam a fragilidade humana aproveitada “divinamente” pelo cristianismo e é combatendo este princípio que ele diz: “…amor ao próximo, viver para os outros e outras coisas, pode ser a medida de defesa para a manutenção do mais duro dos egocentrismos”.
Ecce Homo, ao contrário de suas outras obras, proporciona uma leitura gostosa, repleta de conceitos que nos fazem refletir e combater o marasmo das premissas que levamos em nossas vidas.

Contestar o que é fato não exige muito esforço, embasar o complexo … é pra poucos.


One Response to ' Ecce Homo '

Subscribe to comments with RSS or TrackBack to ' Ecce Homo '.

  1. Tati said,

    on June 6th, 2008 at 10:25 am

    Obrigada pela visita!
    Beijos.

Leave a reply