A Noite
24 December 2007
Não sou nenhum fã de livros e histórias de guerra, e nem acho que deveria. Porém após algumas indicações de uma professora de Ética que, apesar de inúmeros adjetivos que vão de encontros aos meus, passei a admirar. Talvez por sua cultura ou até mesmo por sua qualidade como professora ( não é pra qualquer um conseguir despertar o interesse de 40 alunos com assuntos como política, senso crítico e blábláblá ). Enfim, me recordo que alguns trechos do livro foram citados em sala, o que despertou minha curiosidade (já perceberam que não preciso de muito para tal?).
Um livro de memórias. Assim eu definiria A Noite de Elie Wiesel, um autor que mais tarde eu descobri ser ganhador do prêmio Nobel da Paz de 1986. Ele retrata horrores nos campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald com tamanha emoção, se é que posso chamar assim, que torna o livro não um retrato dos desejos de um louco à frente de um país de zumbis, mas sim de monstros que nós, seres humanos, podemos nos tornar.
O livro retrata a história de um garoto judeu de 14 anos (Wiesel) em meio ao holocausto. Arrancado dos braços de sua mãe e ao lado de seu pai, que cruelmente vai definhando à cada página virada, Wiesel narra uma história cercada de sofrimentos e horrores, hoje inimagináveis, de forma clara, permitindo que o leitor se veja dentro dos campos de concentração.
Toda a trajetória do garoto é narrada, desde os avisos das barbáries nazistas antes da ocupação de sua cidade até os intermináveis meses nos campos de concentração.
A intensidade da leitura se deve à revolta do autor diante dos acontecimentos. Crueldade, fome, humilhação, morte, dor. Talvez essa mesma revolta torne o livro tão marcante.
Por diversas vezes me vi, olhando de cima, imerso em cenas chocantes como, por exemplo, quando ao chegar no campo de concentração Wiesel avista um caminhão, desses cuja a caçamba se move para despejar entulhos, despejando corpos em um imenso forno. Isso mesmo, pessoas! Crianças, mulheres, idosos sendo queimados vivos.
Engana-se quem acha que o livro é mais um conto sobre o nazismo, pelo contrário, este livro é sobre indignação.
Repleto de mensagens subentendidas o livro também tem resquícios do amor, se é que se pode visualizar alguma forma de amor em meio a tanta dor. Quando digo amor me refiro à uma outra faceta do mesmo, a qual se revela existente apenas quando o desespero nos envolve. O amor que existe, mas que não se engrandece. O amor da compaixão. O amor de um pai à beira da morte. O amor de um filho com fome. O amor limitado pelo egoísmo que, não duvide, existe dentro de todos nós.
Excelente leitura, talvez um dos mais terríveis e tristes retratos do holocausto. Indicado àqueles que estão dispostos a reviver o horror imposto ao mundo pelo nazismo ou se emocionar com mais uma história hercúlea.
“Do fundo do espelho, um cadáver me contemplava. Seu olhar nos meus olhos não me deixa mais.” Elie Wiesel
on December 25th, 2007 at 7:17 pm
Não perca o livro Nada de Novo no Front! Acho que você vai gostar…
Abraços!
on December 27th, 2007 at 12:45 pm
A Noite | Canto do Leitor | Indicações de Livros e afins…
Um livro de memórias. Assim eu definiria A Noite de Elie Wiesel. Ele retrata horrores nos campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald com tamanha emoção, se é que posso chamar assim, que torna o livro não um retrato dos desejos de um louco …
on December 28th, 2007 at 10:49 am
Oi Bruno! Gostei desse seu canto aqui
Feed assinado, abraços!
on January 9th, 2008 at 10:37 pm
Parabéns bruno,
lendo seu comentário sentí-me atráida por novamente ler o livro e mais ainda comovida de vê-lo assim tão repleto de posicionamento e paixão.Sinto-me a dividir com essa Professora citada, o orgulho e prazer de ter despertado em você esse potencial literário e crítico, uma vez que ela inspirou-te a paixão e eu inspirei-te as letras, os primeiros passos… Foi assim ?
Bruno, memórias ou não , o livro em si traz a arte da ficção e a ficção nada mais é que o retrato da realidade. A realidade ou ficção deixam o Homem apresentar com arte, dor ou pesar a sua indgnação sobre o mundo.
Mais uma vez parabéns!
on January 10th, 2008 at 8:04 pm
Bruco, você conseguiu transmitir o entusiasmo que a leitura desse livro despertou em você. Despertou em mim o desejo de lê-lo imediatamente.
Leon Uris também escreveu livros sobre o holocausto e sobre o povo judeu: Exodus e QBVII. Outro livro sobre o assunto é A escolha de Sofia de William Styron.