A Menina que Roubava Livros
7 January 2008
Uma sucessão de clichés me levou ao livro A Menina que Roubava Livros de Markus Zusak. Deixe me explicar. Após algumas idas ao aeroporto de Congonhas, e todos em geral, me perguntei: - Quantos e quantos livros comprados nessas livrarias são lidos apenas o tempo suficiente entre uma escala e outra e esquecidos depois ?. Aposto que muitos. Parece inteligente, diferente, “chique” ler no aeroporto. Claro que não na rodoviária, entre um ônibus e outro, ou à espera de uma consulta, definitivamente não é chique. Bom, algumas coisas não devem ser questionadas. Na minha opinião, ler deve ser algo prazeroso, quando se torna algo “estético” deve ser revisto. Enfim, este não é o intuito do blog. Voltando. Ler no aeroporto, querendo ou não, é um cliché, e resolvi dar volume para tal, mesmo que involuntariamente. Passeei, como de costume, pela livraria li alguns resumos e acabei dando uma olhada no livro A Menina que Roubava Livros, logo atrás a frase: “Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.”, e aqui minha ida ao encontro do segundo cliché, desta vez um mais específico. Digo isso pois após ler vários comentários na internet pude constatar que quase todo mundo se interessou pelo mesmo motivo no livro. Espero que ao sair daqui você tenha um novo motivo.
Confesso que o livro me surpreendeu. Não por fazer jus à frase citada anteriormente, pelo contrário, acho que ela leva o leitor desavisado a um caminho diferente do qual ele realmente traça, mas sim pela mágica que vem sendo apresentada durante suas 494 páginas (não se assuste, elas voam).
A história, narrada pela própria Morte, fala sobre uma garotinha que a viu 3 vezes. Seu nome é Liesel Meminger. Uma menina de poucos anos que desde cedo aprendeu a sofrer. Vendo, tragicamente, todas as pessoas que amou serem tiradas uma a uma de sua vida ela, então, descobre um refúgio, as palavras.
Liesel após a morte de seu pequeno irmão passa a ser criada por um casal de alemães em um bairro humilde, chamado Molching, em plena Segunda Guerra Mundial. Talvez daí tenha surgido toda a sua dramaticidade. Toda a história da roubadora de livros se passa nesse cenário, entre amizades e um amor incrivelmente grande que ela adquiriu por seus novos pais, duas figuras únicas. De um lado, um homem com um coração que mal cabe em seu peito e exala carinho. Do outro, uma mulher rude, ranzinza mas que, do seu jeito, ama Liesel desde o primeiro instante. Ao decorrer da história percebemos como o amor tem dessas coisas, nutrir amor por uma pessoa que te enche de carinho é tão simples quanto nutri-lo por quem o xinga e lhe trata com rudez. Como disse, “o amor tem dessas coisas”.
As aventuras de Liesel e seu melhor amigo Rude dão dinamicidade ao livro, tornando a leitura muito dinâmica. Seus divertimentos vão desde um simples jogo de futebol ao, preferido de Liesel, furtar livros. O verbo furtar perde completamente seu peso quando falamos da roubadora de livros, digo isso pois seus roubos são inocentes e apenas objetivam acalentar seu coração sofrido. Sim, as palavras nos acalmam.
Quando um judeu (lembrem-se, estamos na II Guerra Mundial) entra na casa dos Hubberman’s é que a história passa realmente a fazer um sentido. Aproximados pelo sofrimento, Liesel e Max, o judeu, fazem com que momentos tão simples e tão cotidianos pareçam algo extraordinariamente maravilhoso. O que nos leva a repensar em coisas que passam despercebidas aos nossos olhos, estes sempre preocupados em fitarem algo grande para se satisfazerem. Esses momentos podem ser exemplificados em todas as vezes que Liesel diz para Max, como o céu está lá fora (Max está escondido no porão) ou nos presentes encontrados na rua pela menina, que enchiam os olhos do pobre judeu de lágrimas.
Ele se vê obrigado a retribuir o presente, e com certeza o faz com grandeza. A pequena garota recebe um caderno intitulado A sacudidora de palavras. Nele, o judeu conta a história da amizade entre eles e mais ainda, fala sobre as palavras e como elas podem mudar o mundo. Repito, na minha opinião, A Menina que Roubava livros fala exatamente disto, o poder das palavras. O poder de matar milhões de pessoas sem sequer tocar em uma arma. O poder de transformar sentimentos. O poder de sonhar. O poder de ser quem você quiser. Ler é tudo.
Aos que já conhecem o poder das palavras, leiam para se encantar. Aos que não conhecem, leiam para se surpreender.
“Era alto na cama, e vi a prata por entre suas pálpebras. Sua alma sentou-se. Veio a meu encontro. As almas desse tipo sempre o fazem - as melhores. As que se levantam e dizem: “Sei quem você é e estou pronta. Não que eu queira ir, é claro, mas irei. ” A Morte
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on January 7th, 2008 at 11:29 pm
Realmente muito bons seus comentários, me interessei bastante pelo livro.
Vou voltar mais vezes.
Att
Daniel
on January 8th, 2008 at 9:06 am
Olá, realmente belas palavras para um livro que ilustra tão bem o seu poder.
Diferentemente de muitos dos best sellers de 2007, “A Menina que Roubava Livros” é um livro extraordinário e vou ressaltar o belíssimo trabalho feito pelos tradutores, que conseguiram manter a mágica dessas belas palavras.
Um abraço
on January 8th, 2008 at 1:58 pm
A Menina que Roubava Livros | Canto do Leitor…
Aos que já conhecem o poder das palavras, leiam para se encantar. Aos que não conhecem, leiam para se surpreender….
on January 10th, 2008 at 7:54 pm
Gosto muito de ler, leio em qualquer lugar, na rodoviária, no aeroporto, em casa. Para aqueles que gostam de ler (infelizmente são poucos), o importante é a leitura em si, o prazer e não o fato de ser chique. Será que alguem realmente lê para parecer inteligente?
A menina que roubava livros nos mostra que a leitura é capaz de transcender nossa realidade,como afirma o articulista: “ler é tudo”, as palavras são poderosas. Também recomendo esse livro. Ele é realmente interessante e comovente.
Amélia
on February 22nd, 2008 at 12:46 pm
[…] março do ano passado, foi lançado pela Editora Instrínseca no Brasil um livro chamado “A menina que roubava livros”, do australiano Markus […]
on March 9th, 2008 at 11:32 pm
Gostei da história,fiquei com vontade de ler .vou comprar e assim que terminar de ler te falo.Só do que ouvi já sei que vou gostar.
on April 29th, 2008 at 12:24 pm
Estou lendo esse livro agora. Ganhei de aniversário. É, pessoas nerds ganham livros de aniversário.
Bem, realmente não consigo me desgrudar dele. 500 pgs realmente estão passando rápido. Quando não tou lendo tou pensando na Liesel rsrsrs
Bem, quanto ao comprar livros no aeroporto, meu pai segue essa mania. Toda vez que ele viaja a trabalho ele compra um livro. Depois de uma semana ele acaba se enjoando dele e acaba me dando o livro depois.
Desses livros acabei gostando muito de linguagem corporal. Já li bem uns 5 livros só desse assunto. Se vc quiser eu lhe indico um bem legal.
té +
on April 30th, 2008 at 3:18 pm
Olá Débora, Adorei este livro. Inicialmente achei que seria mais um romance qualquer, mas ao final vemos que, com pouco esforço, o livro nos ensina muito.
Me indique sim alguns livros, sinta-se a vontade para resenhar alguns deles e publicar aqui no Canto do Leitor.
Caso queira ver também algum outro livro resenhado é só indicar que prontamente o leremos e postaremos aqui.
Muito Obrigado pela visita.
on May 16th, 2008 at 8:47 pm
Adoro esse livro.
Classifico-o como uma das obras-primas produzidas nesses últimos anos, porque…
É incrível como Zusak lida com as palavras. É tudo tão simples, tão comum; é um vocabulário tão diário (salvo as palavras e termos em alemão, que muitos não dominam), tão próximo. E ele nos apresenta uma “fabulosidade” como esta, provando que rebuscamento de linguagem não é característica indispensável para boa literatura.
Cheguei a ficar amiga de Liesel. Admirei a Morte, boa contadora de histórias. Admirei cores, palavras e termos que imprime nas páginas do livro com o manejo fácil com que conduz a coesão da garotinha.
E fiquei fã de “sacudidor@s de palavras”.
Zusak faz mágica - com as palavras, com o tema recorrente que é a Segunda Grande Guerra, com a menina simples, com o amigo dela. Por mais clichês que sejam seus personagens, o autor tem habilidade. A diferença entre ele e muitos do “resto” que também escrevem sobre o mesmo período é simples: é a diferença entre o meu primeiro ovo frito e o da minha mãe, que nunca desmancha.
on May 19th, 2008 at 5:39 pm
Excelente colocação Luisa. Suas palavras retratam um pouco do que o livro realmente é. Obrigado pela visita.
on May 31st, 2008 at 12:18 am
Cara, só lendo tuas considerações eu já emocionei-me, quase chorei. Vou comprar o livro amanhã… O valor e o conteúdo das pessoas, precisamos explorar isso nesse mundão…. abraço
Kolody
on June 18th, 2008 at 4:00 pm
Esse livro é lindo. Um dos melhores que já li, e o primeiro que me fez chorar.
Impressionante como a narradora Morte consegue trazer vida aos personagens. Nos sentimos parte da família, compartilhamos os sentimentos e realmente valorizamos as palavras e a dualidade que as circunda.
Parabéns pela resenha. Gostei muito do Blogue.
Abraços Fraternos.
on July 4th, 2008 at 11:30 pm
Bom…tb ouvi alguns comentários sobre o livro e resolvi lê-lo, estou na página 51 e com medo que que ele acabe depressa demais rsrs. Muito bom até aqui, envolvente e lindo.
on July 9th, 2008 at 8:01 am
Olá Colodi, Basílio Sgaratti e Patty. Que bom que tenham gostado. Este livro é realmente muito bom. Espero que absorvam o que ele realmente tenta nos passar. Afinal, essa é a mágica da leitura. Espero que voltem mais vezes por aqui. Obrigado pela visita
on July 10th, 2008 at 7:48 am
!Muito bom este livro, legal ver um post tão bom também sobre ele.
mas não.. Não ache que é nerd ler, ou mesmo ganhar livros, isso é normal.
Debbie, hah, sua grafia foi quase correta, deves estar a ler bastante
Indique os livros do assunto citado, acho-o interessante mas não acredito que é infalível.
got it, bee?
on July 11th, 2008 at 3:25 am
Oi pra fala a verdade eu nunca li nada por vontade própia. sempre era por causa da professora mas hoje eu fui ao super mercado e sem que querer me peguei
anotando o nome do livro e não sei oque me deu entrei aqui e percebi que é isso que qero!!! vou ler sim! pois, acho que só o titulo já me despertou
esta sede. thau depois digo se gostei!
on July 11th, 2008 at 8:02 am
@samara
Que bom que você sentiu essa vontade. Tenho certeza que não vai se arrepender. Eu também não era muito fã dos livros de escola não. Escolheu um excelente livro pra começar.
Espero que volte e deixe suas impressões.
on July 21st, 2008 at 11:50 pm
Olá,
Belo resumo. Já havia o tentado por diversas vezes, mas o livro é tão emocionante que nem com duas horas conseguiria transmitir um pouco da belissima história que o livro traz.O livro realmente vale a pena.
on August 6th, 2008 at 4:44 pm
Vamos direto ao ponto. Markus Suzak é uma piada, um belo picareta.
“A menina..” é um livro ridículo, pretencioso e mal escrito.
Imagino o senhor Suzak em sua casa, na Austrália, tendo de repente a sua idéia genial, “a la Titanic”: se armar de grandes temas (nada menos que a segunda guerra mundial, e mais! narrada pela própria morte!) e contar tudo do ponto de vista de uma menina. É uma receita de bolo que já começa a enjoar, mas vá lá. Se for bem contada, vale à pena.
Agora, o que o “saumench” (pelo amor de deus, quantas vezes ele diz isso..) do Suzak faz é um engodo, uma história chata que nunca acontece, que não sai do lugar, com personagens completamente desinteressantes. A morte, coitada, é banal, vulgar, caricatural.
Enfim, ainda bem que uma bomba explode tudo no final. “A menina…” é perda de tempo, um livro ruim que está vendendo apenas por causa de sua capa (muito bonita, aliás), e pela picaretagem da diagramação. Essa coisa do livro “voar”… Faça o favor. As mais de 400 páginas não passariam de 150, numa diagração comum.
O senhor Suzak poderia ter poupado nosso tempo, e ter derrubado menos árvores para contar sua historinha.
on August 6th, 2008 at 11:59 pm
André,
Se você não tem nada para fazer, esta entediado, peço que me faça o favor de arranjar outro hobbie, de preferência um que não envolva criticar obras literárias e seus autores.
Foi de clichês que o mundo foi feito meu amigo, acostume-se e aprenda a respeitar as páginas feitas de suor que caíram em suas mãos.
Pelo que eu saiba, há uma chance de eu estar errada, é claro, o senhor nunca percorreu o país buscado informações sobre infinitos assuntos para poder, então, como Markus o fez, “contar sua histórinha”. E é por isso que eu lhe peço, não zombe de pessoas cultas, apenas por que seus trabalhos não lhe agradam. Não faça de si a verdadeira piada nessa história toda.
on August 7th, 2008 at 11:53 am
Olá, estou lendo este livro’ A menina que…” e estou gostando, apesar de ás vezes parece não sair do lugar, indo e voltando. Gosto de história e ele ajuda a conhecer este tempo amargo e sofrido não só pelos judes como por alguns alemães também. Achei muito parecido com o filme estrelado por Haley Joel Osment em “Anjos da Guerra”, os personagens tem muito em comun como um menina que anda no meio dos meninos, rouba frutas, brinca com eles…
Bom estou na pg. 255, estou gostando.
bjs.
cris
on August 7th, 2008 at 11:35 pm
nossa… maravilhoso o seu resumo!!!.Você escreve muito bem! aumentou ainda mais o meu interesse, a vontade que estou de ler esse livro em especial via algumas pessoas no caminho para o colégio com ele nas mãos e lembrava “preciso comprar este livro”.Agora num momento de paz em casa longe da correria e do stress do dia-a-dia me veio em mente novamente “A menina que roubava livros” e digitei num site de busca,para assim encontrar um resumo e o seu blog foi o primeiro que entrei ainda bem, o seu blog é ótimo!!! vou coloca-lo no meus favoritos e correr atrás do livro o mais rápido possível!
E realmente ler é apaixonante, as palavras tem um poder imensurável!.Uma vez li uma mensagem que no final dizia assim “Quem escreve controi um castelo e quem lê passa a habita-lo.” e jamais me esqueci…
Você sabe me dizer se é possivel eu encontrar esse livro numa biblioteca?
Quando entro em uma livraria ou biblioteca ah!pode me esquecer fico lá um tempão fascinada, entertida com eles…rsss
Parabéns pelo blog!
e até mais amigo leitor!
on August 8th, 2008 at 7:39 pm
Minha cara e divertida Vicky Meminger.
Fiquei feliz com a sua mensagem. Mas não se sinta ofendida por alguém discordar de sua opinião.
É justamente por ter o que fazer – principalmente ler coisas bacanas e leais –, que não gostei do livro, absolutamente. Confesso que eu teria sido mais feliz se, a exemplo de sua mártir, o tivesse roubado da Livraria Cultura.
Entediado fiquei ao terminar o livro, com a sensação vaga de que acaba de ser enganado mas resisti em assumir isso. Bom, com o tempo, a gente aprende a lidar com isso. Assim como os grandes temas de livros, histórias simples são belas, estejam elas juntas ou separadas. Para mim, nenhum desses casos cabe nas páginas de “A menina…”
Ah, os clichês. Bom, você já diz tudo, ao ordenar que eu respeite “as páginas feitas de suor que caíram em suas mãos.” Quanto à chance de você estar errada, sim, está.